Sindicato das empresas aposta em acordo na reunião de quarta-feira
A semana começa com uma trégua dos motoristas e cobradores de ônibus que, em assembleia ontem, decidiram acatar as decisões do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), e continuar as negociações junto às empresas de transporte coletivo, com os ônibus em circulação. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários da Região Metropolitana, a trégua na greve deve durar, pelo menos, até o próximo dia 10, quando os trabalhadores se reúnem novamente.
Até lá, segundo a entidade, a categoria não abre mão da liberação do abono mensal de R$100 para os trabalhadores que ganham acima de R$ 1.000, e de R$ 50 para quem recebe menos que R$1.000, assim como a garantia de emprego e não punição pelos dias parados na semana passada, quando a greve alcançou 95% de adesão.
Essas garantias foram dadas em negociação com os donos de empresas e intermédio do TRT, na última semana, segundo o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Belo Horizonte, Camilo Moreira. "Ainda estamos em estado de greve. Aceitamos continuar a conversar, mas se as medidas do TRT não forem cumpridas, a greve pode ser decretada novamente e a qualquer momento", disse.
Negociações. Na próxima quarta-feira, sindicatos trabalhista e patronal voltam a se reunir para discutir a campanha salarial dos contratados no transporte de passageiros da capital e região metropolitana.
Segundo Moreira, o sindicato não abrirá mão de pontos como redução da jornada de trabalho para seis horas e reajuste salarial de 37%. "Não aceitaremos, de forma alguma, o reajuste de 4,36% em nosso salário".
A diretora de comunicação e marketing do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram), Valéria Couto, não acredita em uma nova paralisação. "Queremos uma negociação amigável. As reivindicações serão discutidas e decisões tomadas seguindo também propostas estipuladas pela Justiça", comentou.
Se os sindicatos não entrarem em acordo, o impasse será levado ao TRT, no dia 8. De acordo com Moreira, a aposta da categoria também é de acordo com os patrões. Na última segunda-feira, 1,5 milhão de passageiros ficaram sem ônibus. A paralisação afetou a capital e municípios da região metropolitana.
Depoimentos
Usuários de ônibus temem nova greve
“Espero que a situação entre rodoviários e empresas de transportes coletivos se resolva logo para que não sejamos pegos de surpresa pela greve novamente”, disse a estudante de psicologia Laís Santos, 21.
Na última segunda-feira, ainda sem saber sobre a paralisação, ela esperou mais de uma hora pelo ônibus que a levaria para faculdade. “Em dias normais não espero nem 10 minutos. O ponto estava lotado, pessoas reclamavam, o trânsito estava uma bagunça, foi um caos”, comentou.
Assim como Laís, os belo-horizontinos que dependem dos ônibus sofreram devido à greve, que teve seu pico na segunda, com 95% de adesão, e prejuízos também na terça- feira da semana passada. “Esperamos que isso não se repita. A greve é ruim para os trabalhadores, para as empresas de transporte e para a população”, comentou a diretora de comunicação e marketing da Sintram, Valéria Couto. (RM)
Renata Medeiros - Publicado em: 01/03/2010