| Combustíveis : Venda de gasolina sobe 20% |
| Notícia adicionada em 25/02/2010 10:08:25 |
Por outro lado, CDL registra perdas que podem chegar a cerca de R$ 14,7 milhões/dia
Os taxistas não são os únicos a faturar com a greve do sistema de transporte coletivo em Belo Horizonte e região metropolitana, que já entra em seu quarto dia. Os postos de combustíveis registram, em média, 20% de aumento da demanda, principalmente com a venda da gasolina, devido ao acréscimo de circulação de veículos desde segunda-feira, quando foi deflagrado o movimento.
Com o trânsito inundado por carros de uma população temerosa com a falta de ônibus, apenas na região central da cidade, a estimativa da Guarda Municipal é que o volume de tráfego de veículos aumentou entre 30% e 40% na última terça-feira, com a circulação de cerca de 640 mil veículos - 200 mil a mais do que a média.
O estudante universitário Ronaldo Gomes, 28, é um dos muitos belo-horizontinos que contribuíram para elevar o número de carros nas ruas da capital. Ele abandonou o ônibus e tirou o carro da garagem.
"Meu carro geralmente é para passeio. Mas, do jeito que está, não tenho escolha. Ou vou de carro, gasto mais e ainda tenho problema na hora de estacionar, ou não dá tempo de chegar ao estágio e depois ir para a faculdade", contou.
Ronaldo foi ao trabalho e deu carona para um amigo. Ele afirmou que vai continuar indo de carro hoje.
Movimento. Pedro Saraiva, do Posto Autotex, localizado entre as avenidas Bias Fortes e Álvares Cabral, disse que o movimento aumento de cerca de 20% desde o início da semana. "A procura maior é pela gasolina. No início da semana, estava melhor, mas, agora, com a volta dos ônibus para as ruas, a tendência é ir normalizando", disse. O posto de bandeira BR tem uma capacidade de estocagem de 120 mil litros de combustíveis. O funcionário não revelou a média de faturamento.
Já Flávio Lara, dono de uma rede de postos em Belo Horizonte e Contagem, afirma que a demanda por combustíveis aumento entre 20% e 25%.
Ele conta que, devido à crise de abastecimento na Refinaria Gabriel Passos (Regap), unidade da Petrobras em Betim, não está recebendo o volume de combustível pedido à BR Distribuidora. Lara garante que ainda não está faltando combustível, mas trabalha no limite. A Petrobras, porém, afirma que o abastecimento está "normal".
Falta funcionário. O revendedor da bandeira Esso Ed Nelson Rodella também percebeu aumento nas vendas de gasolina nos cinco postos que administra na região metropolitana. Ele, no entanto, afirma que a greve dos motoristas de ônibus afetou algumas revendas. "O comércio aumentou, mas, por causa da paralisação, o frentista não chega para trabalhar. Chegava a dar fila de carros para abastecer", conta.
Comércio. Na contramão dos postos de combustíveis, o comércio varejista alega prejuízo com a greve dos motoristas. A Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) estima que as perdas podem chegar a cerca de R$14,7 milhões, por dia. No início da semana, a CDL/BH enviou ofício ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais, solicitando interferência que assegure o restabelecimento do serviço de transporte coletivo de Belo Horizonte.
Túnel O incêndio de um ônibus no túnel da Lagoinha, na madrugada de anteontem, ainda causava reflexos no trânsito da avenida Cristiano Machado na manhã dessa quarta-feira. De acordo com a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), uma das faixas do túnel foi interditada para que o Corpo de Bombeiros vistoriasse a entrada do túnel. O calor das chamas trouxe risco de desabamento de placas de concreto do teto.
Grande BH A Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas de Minas Gerais informou ontem ,que cerca de 90% dos municípios da região metropolitana de Belo Horizonte, que possui uma população aproximada de 5 milhões de habitantes, foram afetados pela greve dos rodoviários. Entre as cidades mais prejudicadas estão Caeté, Contagem, Ibirité, Ribeirão das Neves e Santa Luzia.
Estacionamento também lucra com a greve Os estacionamentos da região central faturaram mais com a greve. De acordo com a proprietária do estacionamento Pare Park, no Funcionários, a procura subiu cerca de 20%. “Muitos motoristas não tiveram opção, a não ser tirar o carro da garagem”, diz.
O mesmo percentual foi registrado no Park e Go, no centro, segundo a funcionária Vanessa Cruz. Ninguém do Sindicato dos Trabalhadores, Lavadores, Guardadores e Manobristas de Carro, que também agrega os estacionamentos, foi encontrado para falar do assunto. (Giselle Araujo)
Jornal O Tempo - Publicado em 25/02/2010 |
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