| Trânsito : Trânsito de BH retoma rotina de caos com o fim das férias |
| Notícia adicionada em 02/02/2010 10:23:46 |
Agentes da PM e da BHTrans orientaram os motoristas na porta das escolas
Filas duplas e muitos veículos estacionados em locais proibidos. No dia em que os congestionamentos voltaram a compor os cenário das ruas de Belo Horizonte, com a retomada das aulas em parte das escolas da cidade, a fiscalização não ganhou o reforço esperado. Apesar de já autorizada para autuar motoristas infratores, os 120 guardas municipais só saem às ruas hoje, de caneta e blocos nas mãos.
Ontem, os servidores fizeram um curso de treinamento para fiscalizar estacionamentos rotativos. Trinta deles passarão a integrar um grupo específico para atuar nessas áreas. Enquanto isso, nas portas dos colégios, policiais militares e agentes da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) trabalharam orientando motoristas que burlavam o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Por enquanto, sem multar.
Foram muitos os flagrantes de desrespeito às normas de trânsito ontem, já que as aulas recomeçaram para quase 400 mil alunos (235 mil da rede estadual e cerca de 160 mil da particular). Para 180 mil estudantes das escolas públicas do município, o ano letivo se inicia hoje. Ou seja, o caos está de volta às ruas da cidade, após a calmaria de janeiro.
Segundo o gerente de operações da BHTrans Fernando de Oliveira Pessoa, entre as principais infrações cometidas estão parar em fila dupla e realizar desembarque de passageiros em local não permitido. "As pessoas precisam entender que o que cada um faz ao volante reflete no trânsito da cidade como um todo. Por isso, é fundamental que todos atuem corretamente", alertou.
Pela manhã, os transtornos foram mais evidentes principalmente no entorno dos grandes colégios e nos principais corredores, como avenida Amazonas e Cristiano Machado.
A BHTrans estima que, com o fim das férias, o volume diário de automóveis nas ruas aumente 10%. Somente no área central, por dia, transitam 400 mil automóveis. Ou seja, são 40 mil carros a mais durante os dias letivos.
Campanha Na tentativa de educar motoristas, a BHTrans e PM iniciaram a campanha "A rua é de todos" em 37 colégios no centro e nos principais corredores da cidade. A ação será mantida até o período pós-Carnaval. Pais e motoristas de escolares receberam panfletos educativos com orientações de como se comportar no trânsito. Faixas foram espalhadas nas áreas consideradas mais críticas.
Mas se no primeiro momento a campanha foi educativa, os motoristas devem ficar atentos. A promessa da polícia é de multar aqueles que insistirem em desrespeitar as leis, como informou o tenente Alex Teixeira, assessor de planejamento do Batalhão de Trânsito. "Se houver reincidência da conduta, vamos autuar". Transgressões como falar ao celular ao volante e parada na faixa de pedestre, por exemplo, não serão perdoadas.
Com o início do ano letivo, fila dupla e congestionamento voltaram a todo vapor Poder de multar é colocado em prática depois de quatro meses Os homens da Guarda Municipal de Belo Horizonte foram treinados para atuar no trânsito da cidade em 2008. Porém, em setembro de 2009, quando começaram a multar, o Ministério Público conseguiu liminar derrubando o poder de polícia de trânsito atribuído à corporação.
No último 13 de janeiro, em decisão da corte superior do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, os guardas conseguiram a vitória para voltar a operar, orientar e fiscalizar o tráfego da capital, e com direito de multar os condutores infratores.
Desde de dezembro, a BHTrans foi proibida de multar. A decisão é do Superior Tribunal de Justiça e foi tomada pelos os ministros, que entenderem tratar-se de uma atividade ilegal, atribuída a uma empresa de capital misto.
Pais levam crianças até a escola Para evitar ser surpreendido com uma multa, o médico Sinésio Batista Souza, 50, preferiu estacionar o carro a dois quarteirões da escola onde deixou o filho de 10 anos, no bairro Santo Agostinho, na região Centro-Sul. “É melhor não desrespeitar a regra”, afirmou.
A mesma postura teve o empresário Rodrigo Lima, 45, que também deixou duas filhas na mesma escola e, por ser o primeiro dia de aula, fez questão de seguir com as garotas até a porta do colégio. “Cada um tem que fazer a sua parte”, ressaltou.
Já sabendo que teria um dia difícil no trânsito, a motorista Mercedes Cancela, 45, disse que saiu mais cedo de casa. Ainda assim estava atrasada para o serviço. “Primeiro dia de aula é sempre complicado. Os pais querem deixar os filhos na porta da escola, e alguns, até mesmo entrar com eles. Com isso, a confusão fica ainda maior. Mas acredito que, se todo mundo colaborar, o trânsito poderia ficar menos complicado”.
Jornal O Tempo - Publicado em 02/02/2010
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